Na localidade ou povoado de
Chimucono, localizado a mais ou menos vinte quilómetros de Dombe, na província
de Manica, vi esta árvore que me cativou pela exuberância da sua copa, bem
frondosa. Mal parei fui tirar umas fotografias. Um senhor, lá residente,
comerciante e agricultor, conhecido nos meandros do amigos por “bóer”, mas cuja
graça Vilaça, ficou intrigado pelo meu fascínio pela árvore, e em consequência
prontificou-se de imediato em dar-me detalhes da mesma: nome local, Muvure, que
significa sombra, cujas folhas dificilmente caem, porém quando acontece, numa
altura própria, e começam a folhear de
novo, toda a copa se transforma num chuveiro natural, em que permanentemente
pingos de agua vão caindo, e deixam o local debaixo da copa, húmido, e segundo
o mesmo senhor, acontece no verão. Por outro lado, informou-me que há menos de
um mês esteve uma equipe de biólogos estrangeiros no local estudando a árvore.
Outro pormenor interessante, é que normalmente estas árvores nascem aos pares,
um macho e uma fêmea, num intervalo entre elas não mais de 600 metros. E o
fenómeno atrás referido apenas acontece com a fêmea.
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sábado, 7 de março de 2015
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
O poder de Estado
Sem entrar em detalhes da função
do Estado, já diversas vezes explanado pelos competentes tratadistas, mas a
minha percepção e desejo, é que o Estado deveria ter mais acções e
principalmente as que não necessitam de grandes dispêndios orçamentais, porém
acções que tenham efeitos a partir do empenho dos seus agentes. Focando
fundamentalmente o aspecto de controlo e repressão como aspectos a centrar-me,
sem contudo querer significar que o papel do Estado se resuma a esses elementos.
Deixem-me contar-vos um facto que
presenciei, num pais que não vou dizer o nome para evitar sugestões. Estava eu
procurando por um determinado endereço, com o qual não atinava e alguém me diz,
para me dirigir a um polícia que decerto me iria indicar. Lá vou eu meio a medo
e de coragem, em direcção a um polícia de compleição física que seguramente se
pode classificar de taludo, na verdadeira acepção da palavra, e pergunto-o, ao que
curiosamente, bem solicito com uma manifesta simpatia, me indica e sugere a possibilidade
de me levar ate ao local, ao que eu prontamente rejeitei em virtude de já ter
entendido. E comento com o meu companheiro de altura, a solicitude e a simpatia,
que no meu entender, mais parecia de uma assistente de bordo ou de uma
enfermeira que se preze, que de um policia. Localizado o endereço, resolvida a
questão, lá nos fizemos a rua, no sentido inverso. Qual é o nosso espanto, o
mesmo policia que irradiou simpatia quanto bastasse, estava com os dentes
arreganhados e cassetete em punho, pondo nos eixos um cidadão que se confundiu
e pôs em causa a sua autoridade; ou melhor a autoridade do Estado de quem ele
era o seu agente.
Essa história leva-me a uma
conversa tida naquelas tardes amenas, de lazer, em que se discutia, no caso, se
aos pais se devia respeito ou, se o medo é quem imperava no processo de
educação dos filhos. Depois de muita opinião baseada em factos ou suposições,
alguém disse e com razão que nos deixássemos de veleidades, que no processo de
educação o medo impera em primeiro lugar, e no progenitor que o sabe dosear e
aplicar em momentos oportunos, consegue trazer o equilíbrio do respeito, cuja
origem é o medo sem dúvida nenhuma. Reflecti e recordei-me que aquela aversão
primeira, ao sacrifício de ir a escola e fazer deveres, enquanto outros no meu
bairro, despendiam os seus tempos em brincadeiras e malandragens a tempo
inteiro, só foi possível desfazer ou anular, graças a ditadura do meu pai, que
não dava margens para discussão em algumas matérias, e se porventura ensaiasse
desobediência, uma sova era correctivo quanto bastasse; e se ontem via como
inflexibilidade, hoje só tenho a agradecer a agradável e útil ditadura. E
perguntem-me, se a tareia era o critério de educação do meu pai, e eu
dir-vos-ei que não, posto que meus irmãos nunca apanharam, já porque a
prontidão de resposta nas ordens por ele emanadas, eram imediatas por parte dos
meus irmãos. E só entrei na linha, com o correctivo adequado ao meu
comportamento.
Foto retirada do Google
Hoje faz-me espécie, ver os cabos
de energia a serem roubados por moçambicanos, sem que medidas suficientemente
enérgicas e na proporção do prejuízo sejam tomadas de maneira efectiva e
eficaz. Preferimos ver milhões de moçambicanos – no caso dos roubos de cabo
acontecido agora quando das cheias da Zambézia – os quais ficaram privados de
alimentos e provavelmente de assistência adequada de saúde, por defender os
direitos humanos de meia dúzia de ladrões. E os direitos da população não
apenas de Nampula e Cabo Delegado bem como de parte da população da Zambézia
ficam aonde? Hoje vejo, nas nossas cidades contra todas as regras e princípios
de saneamento, lixo a ser deixado a qualquer hora e a ser recolhido pelo Conselho
Municipal a qualquer hora também, e com surtos de cólera que nos custam milhões
em nome de uma demo-anarquia. Hoje vejo, os motoristas com a maior das veleidades
fazerem regra a violação das normas de condução. Hoje por hoje, vejo
estrangeiros com facilidades, tirar o Bilhete de Identidade – pondo em causa a
soberania - e os moçambicanos com imensas dificuldades de possuí-lo e aqueles tirarem o sarro com estes. Esses mesmos
estrangeiros chegarem e usurparem o poder de Estado – pondo em causa a
soberania - matando animais protegidos, retirando recursos naturais ilegalmente
e com a maior das naturalidades e nós completamente atados, porque o poder de
Estado confunde direito humanos com permissividade anárquica e perigosa, que
põe em causa toda uma nação sustentável.
Se me perguntarem o que prefiro
como sistema politico, direi, que prefiro a democracia, mas uma democracia
robusta e equilibrada que a par da legalidade e simpatia e o bem servir dos
seus agentes, esteja lado a lado com a intransigência ante ao fazer cumprir o
que constitui norma, nem que para isso tenha que reprimir e por em causa o
direito humano individual na salvaguarda do colectivo, do que a permissividade
que permite a ditadura dos ladrões, sequestradores e afins, conferindo-lhes
maior direitos humanos que a dos honestos e trabalhadores.
____
PS. Aliás, não é novidade ver-se estrangeiros bem articulados com
algumas franjas do poder, ou com algumas notinhas no bolso, humilharem
moçambicanos, quantas vezes gratuitamente. Sou contra a xenofobia, bem como
super contra estrangeiros humilharem moçambicanos em Moçambique; sugere-me
sempre uma outra luta de libertação nacional.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Chitima: o que queremos afinal?!
Tem piada que quando fui a
Chitima, pela primeiríssima vez, vi a sinalética, dizia Estima, mas parece que
a recuperação do nome autêntico, fez com que alguns perdessem a autenticidade.
A propósito de quê, esta diarreia verbal, podem perguntar os caros leitores.
Nunca me simpatizei com o termo
auto-estima. Não me perguntem porquê, porque não sei. Porém, sei que, talvez o
equivalente, tem a ver com o orgulho, orgulho que tens que ter de ti próprio. Provavelmente
aqui se encontre a explicação da minha aversão; na formação ou formatação
religiosa que tive, que condenava o
orgulho. Mas religiões a parte. Tanto quanto pude perceber, a auto-estima tinha
como objectivo, que o moçambicano se valorizasse, posto que todo o processo de
colonização teve como fito, desvalorizar, ou melhor espezinhar todos os valores
moçambicanos. E o conceito de auto-estima apareceu, como forma de dizer que nós
tínhamos que nos resgatar em termos de valores. E politicamente falando,
estamos saindo da ressaca da auto-estima como slogan. Porém, olhando para a
catástrofe de Chitima dá-me a sensação de, qualquer coisa que não surtiu
efeito.
Imagino-me numa festa ou tertúlia
de amigos, onde exclusivamente fomos chamados para beber whisky, composto por
cinco garrafas ou garrafões de cinco litros, como as que aparecem algumas vezes
por aí. Não sei porque malfadada sorte, aparece alguém que não gosta de nós ou
do nosso convívio e sorrateiro coloca um veneno, numas estraquinina, noutras
cianeto, dentro do john walker. Em consequência, começamos com aqueles
desarranjos intestinais, que vira para uns intoxicação e para outros
envenenamento; e uns rapidamente vão ao hospital, outros não; por motivos que só,
cada um pode saber ( e eu posso tentar adivinhar, desde o receio de ser mal
atendido, bem como porque com conhecimento de causa, não quero que o meu mal,
que eu acho menor, vire num óbito certo, porque os nossos hospitais viraram
morgue, por razões como incompetência, desleixo, incúria, etc. etc.). Porém, o
sucedido pela amplitude, levanta um aracéu de todo o tamanho, movimentando o
país inteiro, como é comum em casos que tais, posto que para uns, políticos, é
altura de aparecer para mostrar identidade, para outros, comerciantes, é altura
de fingir solidariedade para mostrar responsabilidade social, fingidos em
atonia de estarmos todos consternados, mas logo em seguida, vamos para a boate
mais próxima, esquecidos do próximo que nos é deveras distante. Repórteres são
mobilizados; e decerto que nas reportagens, aparecerá, e com razão, que o
whisky foi envenenado e vitimou tantas pessoas, das quais x morreram e outras
tantas internadas, mas com alta. Ninguém dirá que o pombhe, alias, whisky matou,
mas sim que foi contaminado com um veneno que matou uns e a outros provocou
sérios distúrbios.
Porquê que o envenenamento do
pombhe, vai pôr em causa o pombhe?! O whisky é uma bebida tradicional escocesa
que se industrializou, bem como o gin é uma bebida tradicional inglesa que se
industrializou, assim como a amarula é uma bebida tradicional - canhu se
quiserem - que os sul-africanos industrializaram.
Foi com tamanha consternação que
vi, do acidente fatídico, o objecto de acusação na vez de ser o veneno,
envenenarem midiaticamente a nossa bebida tradicional, com argumentos da forma
e meios de a confeccionarem como se de repente todas as culpas do nível
alcoólico do país recaísse sobre a secular bebida, como se seculares resistidas
de todas as perseguições coloniais, voltassem num pesadelo. De tal modo que, vi
e tive a sensação de estar, um jornalista, num embaraço imprevisto, quando numa
pergunta canhestra, o que estava a beber, esperando que ele dissesse pombhe, a
um consumidor azougue, e ele responde astutamente, uma bebida alcoólica, e o repórter
se perde lancinante, sem saber o que perguntar em seguida, de tão formatado que
ia. Mas todo esse inesperado ataque ao pombhe, deu-me a sensação que em Estima,
ou melhor, Chitima se perdeu a auto-estima, desbaratando o que é nosso,
imputando toda culpa do nível alcoólico nela, esquecendo-nos de outras mais
incentivadoras e mais perniciosas como, os travel, os paradise, e etc., etc..
Em Portugal, para exemplo, nos
lagares como é que se esmaga a uva, produzindo o mosto do vinho?
Imagine, caro compatriota, se é
capaz, produzirmos uma bebida de exportação, com o mosto feito de canhu, jambalão
ou caju, em que meia dúzia de pretinhos, se pusessem a esmagar com os pés, o
que não viria nos midias, um autêntico opróbrio, falando das exalações
mefíticas do chulé, suor e catinga, a mistura com aspectos de sanidade, de
modos que seriamos liminarmente banidos de exportar a dita cuja. Mas o vinho
como é produzido por quem produz, até pagamos a preço de ouro, e bebemo-lo
chamando o néctar dos deuses.
Se há algum mal na forma de
confeccionar pombhe, o caju, o canhu, na vez de o combatermos, devemos é
arranjar meios de potenciar os produtores, de modo a produzi-la comme il faut; posto que esse vão
combate, me leva aos tempos desagradáveis.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Sessenta anos de um jovem vivido …nas disciplinas da vida
Saber
que um dia fui espermatozóide; com o orgulho de ter sido o mais veloz,
velocidade que hoje já não tenho, e ter em consequência cruzado com um óvulo,
que se me fez, numa metamorfose milenar, e consentaneamente chamaram-me feto, e
que de tão traquino que era, expulsaram-me da primeira residência depois de
nove meses de insubordinação, para virar perculsa criança, num mundo tão
inóspito quanto o nosso; é assustador. Precisamente por isso, andei outros mais
seis a nove meses meio assustado e atarantado, de modos que titubeante me fui
endireitando. E dizem que fui um bebé bonito, todavia assustado fico, com a
transfiguração que sofri; vejam o que me sobro! Desse bebé bonito, dependente e
sei lá que mais, nada sei, porque pouco o quase nada me contaram, senão que a
primeira conta que aprendi a realizar foi a subtracção, bem antes de entrar na
academia. Parti muitos púcaros e copos com a maior das alegrias, vejam só que
sacanice!, se alguma vez em são pensar, se pode conceber um indivíduo que
subtrai património, ainda por cima alheio, com satisfação. Decididamente já
nasci maluco. Mas maluco ou não, o meu pai que já conhecia remédio para tal
dislate, foi-me sovando pepticamente, de modo a entrar nos eixos. Mas lá diz o
ditado, pau que nasce torto morre torto. De tal sorte que torto continuei, e em
resultado a terapêutica continuou com uns avisos de permeio, que pelos vistos
pouco adiantou.
Fiz-me
menino e moço, lingrinhas porém garboso e maluco, e teria outro remédio?,
metido que fui na aventura escolar, para além da leitura e da escrita, o que
hoje não é necessário, porque essa etapa foi abolida, aprendi também outras
operações aritméticas. Multipliquei sonhos e receios, somei alegrias e tristezas
subtrai, e lá mais para a frente, complicaram tudo e renomearam-lhe matemática.
Nessa aí, achei a raiz quadrada do amor, dividi meu corpo, entre parênteses,
claro, já crescido mas não taludo, por muitas mulheres – sempre fui muito
socialista nessa matéria – e enquanto isso, continuava a ler e a escrever.
Escrevia no livro da vida! Mas porque a vida assim determina, fui metido em
outras operações, matemáticas: derivei, integrei, progredi, fui função,
impuseram-me limites. Revoltado com os limites, pus-me a fazer análises, muito
longe de saber que me havia metido numa mata, mata ou moita já pouco importava,
pelo que tive de fazer arranjos, que não surtiram efeitos e levaram-me a
permutações que acabaram em combinações, algumas delas bem explosivas demais, de
modo que estar vivo até hoje; puro milagre!!! E como na escola da vida e não
só, outras matérias são chamadas, fui obrigado a aprender a biologia, da qual
saltei para a anatomia, mas porque não, associei a arqueologia, onde da mera
contemplação anatómica evolui na arqueologia do corpo no feminino. E na
arqueologia desse corpo adusto, embrenhei-me diletante, na vegetação capilar;
umas vezes restolhos, outras dédalo de concupiscentes florestas; bem como no
tecido da pele, explorei lúbricos desertos e planícies, escalei flexuosos e
sobranceiros montes e dunas, embrenhei-me em iridescentes lagos e alcantiladas
grutas, escavei rútilos segredos e aqui encontrei: a boceta de Pandora* para uns, a alquimia da vida para mim.
Porém
a história se fez presente, sendo; vivi, ouvi e contei muitas histórias… e aqui
estou eu a contar-vos histórias da minha vida algebricamente e não só, falando!
Mas também o quê que se pode contar de alguém na terceira idade? Quanto mais
não seja contar histórias, umas bem e outras mal contadas. Uma coisa contudo me
oponho veementemente; contar histórias que comecem com: “nos meus tempos”,
“quando eu era”, porque este é o meu tempo e continuo sendo. E eis-me!
____
*boceta de Pandora: origem de todos os males. (Dicionário da língua
portuguesa de Eduardo Pinheiro)
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
A municipalização assumida
Há alguns poderes locais que começam
a dar-me óptimos sinais de compreender a democracia no seu verdadeiro sentido,
sem pôr em causa a força do Estado e por outro a participação da população:
evitar as exações e não permitir a atonia dos sistema. Um equilíbrio difícil
mas absolutamente necessário. Levar que as questões técnicas e científicas e
normativas não sejam desbaratadas em nome de um falso populismo.
Dos actos de exercício do poder em
que o interesse geral predominou a desfavor de grupelhos económicos
estabelecidos, senti nos primícios actos da edilidade de Nampula; uma chamada
de atenção aos viciadores do sistema de urbanização, com construções fora do
estabelecido e que punham em causa os interesses de uma cidade que se preze,
que não haveria e não houve ipso
facto contemplações. No
Concelho Municipal do Chimóio senti um trabalho de ordenamento territorial
quase que irrepreensível, onde não sendo de todo perfeito mas quanto a mim a
todos títulos louvável. As construções tem o mínimo de controlo, e são erguidas
em locais previamente estabelecidas e os erguidores sabem com antecedência onde
vão passar as ruas. Do meu ponto de vista um trabalho que visa um futuro:
denota-se aqui o mínimo de planeamento urbano, que falha em muito do
ordenamento territorial do nosso país.
Hoje, congratulo-me com o noviciado Concelho Municipal da Matola que
injuriu contra as construções, destruindo-as, imune ao resmonear dos cujos,
vindicando as bacias de escoamento e retenção das águas, em nome de uma atitude
claramente tribuna, considerando irritas todas as decisões tomadas pelo anterior
elenco, de autorizar construções em locais claramente impróprios e atentórios
ao interesse da maioria e que punham em causa os mais básicos direitos humanos.
Contrariamente a alguns outros municípios, e não apenas como o
caso de alguns poderes, que parecem funcionar ao sabor de eleições,
transformados em organismos valetudinários, e que dá a franca sensação de que
os seus funcionários se julgam empregados numa sinecura. E por isso, dão-se ao
luxo de permitir desmandos mais básicos do seu ordenamento ou função. Mas o meu
centro de análise são os municípios exemplares. Fiquei gratamente abismado
quando há uns bons meses atrás fui a Mutare, Zimbabwe, e logo após a saída da
nossa fronteira, do lado direito vi máquinas derrubando árvores e terraplanando.
Informaram-me que eram máquinas do Estado trabalhando em uma zona de expansão. Pelo
que primeiro avançam com as infra-estruturas básicas, como estradas,
electricidade, água, saneamento, segurança, e só depois se atribuem áreas para
as respectivas construções habitacionais convinientemente ordenadas. É tão
oneroso seguir esse exemplo do vizinho?
E muitos são exemplos de ordenamento
das coisas, que os municípios deveriam fazer sem custo adicional, que não o
fazem. Dizia eu que o Estado até ao nível do poder local deve encontrar um
equilíbrio de modo a evitar as exações e não permitir a atonia dos sistema. Nos
sistemas democráticos o Estado, na sua função de influir deve educar, persuadir,
mobilizar, informar e prestar contas. Porém isso não deve confundir ao ponto de
meia dúzia de pessoas, por exemplo, porem em causa a saúde pública dos seus
outros concidadãos. O estado não deve permitir que as regras pré-estabelecidas
sejam violadas por alguém que se acha no direito de fazê-las porque está ébrio,
por comodidade, ou outro caricato pretexto. Vários exemplos de incumprimento,
se dão, não porque não haja verbas, mas apenas porque fiscais e funcionários, e
toda a cadeia de comando, apenas recebem do erário público e não velam pelo que
devem. Fico no arrolamento de alguns exemplos: a ocupação de terrenos, onde
construções com grande desalinho das normas de engenharia, outras desprezando
ostensivamente efeitos nefastos nos seus vizinhos que já por lá se encontravam
instalados, como por exemplo em plena urbe ver-se construções novas (muitas
delas denunciadas) em frente de outras já estabelecidas há dezenas de anos, bem
como a existência de latrinas em plena cidade, porque se esqueceram na altura
da construção, de pensar nos anexos para os empregados domésticos( quem aprovou
essa planta?); depósito de lixo a des-horas e sem o mínimo de cuidados, muitas
vezes em locais que eles próprios entendem que se devem tornar depósitos de
lixo; oficinas em locais de residência onde os outros tem que suportar batidas
de chapa e buzinadelas constantes; carros avariarem-se em plena cidade e nela
serem reparados, derramando diesel, diesel um visceral inimigo do alcatrão; no
período de festas meia dúzia de sujeitos arruaceiros partir garrafas em pela
estrada; ruas de sentido único, por necessidade objectiva, reestabelecidas por
sinais apropriados, o singular, por comodidade, desmontar os sinais e
efectivamente as ruas virarem de sentido duplo (democracia ou anarquia?!); defecação
a céu aberto em plena marginal, quantas vezes a luz do dia. Não pode, meia dúzia
provocarem surtos, como o de cólera, por exemplo, em que aos seis não é
reprimido na medida exacta, pondo em causa 600 que acabam saindo caríssimo ao Estado,
com tratamentos e risco de perdas de vidas humanas. O Estado deve educar, persuadir,
mobilizar, informar e prestar contas; mas também quando necessário, para o bem
da população geral, deve coagir e reprimir aos prevaricadores que põem em causa
a convivência sã e o desenvolvimento, e se necessário e imperativo, coartar a
liberdade do indivíduo, em nome dos limites e dos abusos.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
Quando os alarmes soam
Quanto à mim, não há queda
pluviométrica suficiente, por enquanto, na nossa província, a Zambézia, que
justifique o caudal que os rios comportam neste momento. Já vi chuvas mais
intensas e mais extensas na minha vida, sem contudo terem provocado os danos
que estas, de cuja ausência nos queixávamos há poucos dias, para num lapso de
tempo, se ter transformado em quase efeito diluviano. Se nos reportarmos aos
tempos do antanho, as chuvas começavam mais ou menos lá para os meses de
Novembro e terminavam cá para o mês de Março, variando claramente de
intensidade. Estas começaram praticamente no final do mês de Dezembro e estamos
no princípio do mês de Janeiro. E já são notícias reportando efeitos quase
tsunâmicos.
Não faz muito tempo, vi no nosso
parlamento um grupo de deputados defenderem que a nossa província em particular
não estava a sofrer de desmatamento, claramente em desacordo com os
especialistas da área, e de grupos de pressão independente, que já chamavam
atenção para o fenómenos extremos da
natureza como consequência. E algumas vezes em grupos de opinião diversificada,
nas conversas com os amigos, alguns defensores do sector optimista, ouvi,
dizerem, que esses grupos de pressão estavam a mando de alguns interesses
ocidentais ou coisa que o valha, porque estes estavam com dores de cotovelos
por causa da nossa relação com a China.
Se olharmos atentamente para a
natureza, com especial realce para o momento de quedas pluviométricas,
notaremos que num local sem árvore ou arbusto, os pingos caem e, no caso de um
plano inclinado, e quando tem um determinado volume vão correndo, em
conjunto, para onde a inclinação do
terreno permite; e interrompida a chuva,
seca o mais rapidamente possível, sinal de que quase toda água se
movimentou e nenhuma se reteve. Num local onde há vegetação, árvores, mesmo
depois de a chuva terminada, há pingos que vão caindo das mesmas, o que quer
dizer que alguma parte da chuva ficou retida nelas, diminuindo desse jeito o
volume de água que corre ao mesmo tempo. Se houver vegetação rasteira, veremos
que uma boa quantidade de água fica retida no solo, escorrendo uma parte a
posterior e outra infiltrada na terra, e uma outra desaparecendo por evaporação.
Peguemos esta imagem, ampliemo-la a dimensão a montante dos nossos leitos de
rios. Não será esse desmatamento que pode justificar que chuva normal, se
transfigure em caudais a jusante de se tirar o chapéu, como por exemplo o
Licungo e o Lugela com níveis sem paralelo? Não será essa desmatação
desmentida, mas que vemos a olho nu, que provocam o desaparecimento desses
núcleos de vegetação, moitas e florestas ciliares, que trazem os seus efeitos
tsunâmicos? Não estará a natureza avisando-nos da utilização abusiva dos seus
recursos? As minhas interrogações tem a sua base no
facto de, onde buscar explicação no facto de, logo no início da estação das
chuvas, em que as terras andam tão sequiosas de água, quedas pluviométricas de uma a duas semana e
não muito mais que isso, no caso vertente da Zambézia, leitos dos rios que
andavam tão hécticos, de repente virem obesos e transbordantes??!! Não estarão
aqui a fazer tremenda falta os elementos de retenção, da natureza, com maior
agravante, a montante dos rios na Zambézia, ora em julgamento, onde por sinal é
lá onde estão as grandes explorações de madeira, como é o
caso de Lugela, Tacuane, mas não só, e que por agravante como locais de grandes
inclinações de terreno, por causa das
montanhas, aumentam a velocidade das águas, caindo dessas encostas, já mais
despidas de tanta avidez exploratória, fazendo os tais volumes e velocidades
destrutivas?!
Se as razões que eu evoco por percepção, forem, como julgo que são, uma das causas desses
descalabros tenebrosos da natureza, não estaremos pagando um preço demasiado
caro as facturas, não apenas das nossas proclamadíssimas infra-estruturas, que
acabam elas próprias sendo destruidas, bem como as facturas do passado? A relação custo benefício, vem-nos trazendo
vantagens ou desvantagens? São perguntas que se nos impõe como cidadãos! E neste caso é pertinente, nem que
estejamos serrazinando com estridor.
Ps: como é
meu hábito, sempre que posso, ponho as minhas idéias sob escrutínio de pessoas
chegadas e posso afirmar que já recebi contestações. Fiquei pensando e decidi
entre o silêncio cúmplice e a celeuma, optei pelo risco do desacerto.
Nota: fotos retiradas do facebook
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Entre cheiros e fragrâncias
A minha relação com os perfumes é
de grande intensidade, e envolve uma espécie de fidelidade.
A minha primeira marca de
eleição, adquirida com os recursos da minha independência financeira foi a Agua
Lavanda Puig. E talvez foi ela que me impôs como regra de relação a fidelidade.
Acontece que o mercado, moçambicano, provocou o seu desaparecimento inoportuno
e como forma de não ter que passar pela catinga, lá fui buscando o seu
sucedâneo: Agua Brava. Porém, a desdita do destino determinou rotura. Todas as
vezes que dela me espargia, para além de uma repentina atonia, apanhava uma
dores de cabeça, a princípio indefinida e sem razão aparente, contudo uma investigação
mais consentânea concluiu a incompatibilidade.
Em consequência disso, obrigou-me,
enquanto não arribava a definitiva escolha, a deambular entre duas marcas. Veja
se deles se recorda: o Blue Stratos e o velho Old Spice. Tendo ficado muito
mais tempo no Old Spice. Todavia os percursos do nosso processo histórico e
económico, afunilaram os recursos nacionais, e a definição de prioridades de bens essenciais não constavam
muitos itens, dos quais os cosméticos escassearam.
Salvou honra do meu corpo, a
nossa linha aérea nacional, que sendo de bandeira, tinha que dar o ar da sua
graça e de entre outras coisas, os wc(s) eram dotados de perfume de marca. E a
marca escolhida: Pierre Cardin! E nós passageiros frequentes das rotas
nacionais, pedíamos whisky, e o minúsculo vasilhame de bordo servia para que no
wc, diminuíssemos os conteúdos perfumados dos frascos, para que não ficássemos
mal, com odores pouco ou nada recomendados. Assim fomos correndo contra o tempo
de exalações mefíticas.
Passada que foi a crise, o
mercado se restabelece, e as variedades de aromas disponíveis diversificou-se,
estando apenas condicionado ao bolso e ao gosto. Escolhi como definitivo, e
mantenho-me fiel há mais de trinta anos: Paco Rabanne nas suas variantes.
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