Quando o
silêncio é expressão, prefiro silenciosamente expressar.
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Uma figura privada no meio de duas figuras públicas
Por Lo-Chi
António Barros, Lo-Chi, Eduardo Constantino
António Barros, Lo-Chi, Eduardo Constantino
As duas figuraças, que se publicaram através da
caneta emprestada a voz como profissão, um exclusivamente na Rádio Moçambique,
o outro um pouco mais prostituído, profissionalmente falando, claro esteja,
acabou passando da voz à imagem, e agora numa espécie de pausa que se impôs.
Não é para qualquer um. O primeiro, terceiro na imagem, conheci-o em Nampula,
onde fomos trocando uns alós informais, e o tempo lhe foi dando um carácter
mais informal ainda nos desembrulhos do dia a dia, até que desformalizamos por
completo, fruto de vários cruzamentos, apesar do seu público ser de âmbito
nacional, respeito é bom e ele gosta, ja que Secretário Nacional do Sindicatos
dos Jornalistas. E hoje já fazemos essa parceria público privada. O outro, com
um sorriso meio comprometido por circunstâncias que a imagem revela, a nossa
relação vem de outros carnavais, onde brincávamos, joelhos negros e calejados,
nos murrôtôs* do Macuse e não só. Se de amizade imperturbada se pode falar, não
o façam, apontem para nós, já que um facto não é tergiversável: quarenta e dois
anos de percurso em comum, feito de solidariedades, partilhas e comunhão de
aventuras, dores, prazeres e momentos difíceis da vida. Acho tanto quanto
baste! E eu, o privado, levaram o meu estatuto à letra e quase que me
domiciliavam na privada- no sentido brasileiro do termo- e em consequência,
quando as senhoras se sentiam no aperto, tinham que me pedir autorização,
confundidas, pela minha localização, que lhes induzia à suposição de eu ser o regulador
do w.c.., vê se pode!?
* mangais em língua chuabo
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Resposta à uma pergunta várias vezes formulada
por Lo-Chi
Primeiro comecei com apenas o meu nome artístico,
estampado numa coluna, cujo nome também estaria na gaveta do pouco comum, e
havia razão mais que suficiente da pergunta. Em face disso, entendi para não
ser um anónimo, no sentido de sem face, plasmei a minha fotografia, mesmo assim
subsiste a pergunta. Quem sou eu? Não poucas vezes me perguntaram, e eu sempre
me escusando. Porém, hoje, quiçá vendo a pergunta numa outra perspectiva,
propus-me uma resposta. E aí está.
Não me conheço ainda e penso que morrerei sem me
conhecer. As vezes, julgo que sou uma coisa, para logo a seguir compreender que
nada disso sou e que faço parte de qualquer coisa bem diferente. Umas vezes,
aceito-me tal e qual e...outras; não! Revolto-me, quero-me outro. E se olho
para atrás, não sei de facto o que fui. Como posso saber, se me vario tão
frequentemente e tão diferentemente.
Sei que fui de tudo: ladrão (e nunca roubei nada do
alheio, senão de mim próprio), vagabundo (nunca passeei pelas ruas, nem estive
andando, andando, sem destino...mas imaginei-me), poeta (nunca fiz poemas,
senão que escrevi versos que se pretendiam), libertador (de país nenhum, mas de
coisas múltiplas), construtor (e não peguei tijolo nenhum que fizesse parede),
preguiçoso (ah...isso fui de facto, bastas vezes), ignorante...sei lá, quantas
coisa mais?! Acima de tudo nada. Debaixo de tudo, alguém que se procura e acha
justo encontrar-se perdido, nesse eu deslimitado. Esse eu que faz a pessoa.
O que é uma pessoa? Se não; as acções no sentido de
satisfazer os seus gostos; a reacção perante os condicionalismos impostos; a
insurgência ante os ditados; o movimento com tendência a contornar os óbices da
vida; a maneira de reagir perante os factos do dia a dia, que nos vão fazendo o
que somos e o que temos vindo a ser. Eu talvez seja um surpreendido! Um surpreendido
perante esta vida enorme com toda sua enormidade. De vez em quando um
disfarçado, face a estes factos surpreendentes. Sempre quem sabe(?), um
des-integrado de toda esta complexidade atónita dela mesma.
Constitui sempre, um conjunto de emoções circunstanciais.
Sou uma espécie de progressão (aritmética ou geométrica pouco importa)
emocional, sem constante. Quando me sinto função, prefiro estar em função de
mim mesmo.
No fundo, bem no fundo, sou o princípio e o fim, o meio e
o objectivo. Sou o vento, sou a brisa, conforme as conveniências, minhas e
alheias. Muitas vezes até, a pedra da calçada, a alma inanimada; sou a razão e
a lógica, sou o nada fundido em desejo. Outras a sombra de um homem que não
existe. Sou enfim, a intrépida convulsão da minha mente.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
O aeromodelismo
Por Lo- Chi
A primeira vez que
ouvi falar dessa actividade desportiva, foi pelo meu irmão, que a praticou
através das actividades da Mocidade Portuguesa ou do escutismo, cujo monitor
foi o já falecido David Ribeiro. Depois disso, nunca mais. De repente, naqueles
meu destinos laborais, errando Moçambique fora, estou inesperadamente em
Inhambane e... zás, dou com o aeromodelismo em força.
Nesse zás de
imprevisibilidade, levou-me irremediavelmente aos primórdios dos anos do meu
filho, onde o seu pai, que comprava todos os tipos de brinquedos para ele levar
avante os seus sonhos, para satisfazer bem como incentivar as curiosidades
pueris, quantas vezes não se viu ele próprio envolvido nas quimeras e imaginações,
de tal sorte que as vezes, à título de acompanhar o petiz, excedia o razoável
tempo de utilização dos brinquedos, com tamanho envolvimento, e lá estava ele
de joelhos, num vum vum vum, e rum rum rum, rasgando as imaginadas ruas e
ruelas, trilhos e carreiros, ares e espaços aéreos, com tal intensidade e
extensidade que acabou provocando o irónico comentário da mãe dos seus: o pai
mais criança que o filho, afinal compraste o brinquedo para o teu filho ou para
ti?!.

E foi nesse
Inhambane aeromodelista, num evento internacional, que me revi, vendo adultos,
entre a velhice e a infância, não de joelhos, porque isso faz calos, mas de cócoras,
reparando e repondo as peças dos seus modelitos, colocando-os nas pistas,
entusiasmadíssimos, entre a criancice e a adultice, repovoando a infância a preços
de ouro: modalidade caríssima essa. Mas quantos não pagamos, e não pagaríamos,
para voltarmos a ser crianças??!!
Os aviões crianças
nas pistas transformados em brinquedos, à sério, dos matulões meninos
pilotando, em acrobacias de faz de conta, todavia requisitando perícia, sob o
olhar serenos dos aviões adultos, que iam presenciando as manobras, que os
pretensos pilotos gostariam de efectuar neles. Algumas tão arriscadas, que
acabaram em verdadeiros acidentes aéreos.
No fundo bem no
fundo, a satisfação de um sonho não realizado ou se quisermos interrompido; quiçá.
sábado, 31 de agosto de 2013
Um caso feito por acaso
por Lo-Chi
Se há acasos agradáveis, o que é raro, em nós, dois acontecimentos ao
acaso, marcaram a nossa relação.
O primeiro foi o facto de ter-te visto, e numa visão
fugaz, me teres enchido as medidas e, na emoção em ebulição, não ter sido capaz
de conter um comentário inadvertido: vi
aquela miúda está uma bomba! Quase literalmente, foi esta a minha afirmação
que se quis ingénua, sem intenção, e apenas no jeito de uma interjeição.
O segundo não menos raro – pelos riscos que isso
comporta – alguém que ouviu a exclamação, talvez pelo vigor da mensagem, haver
levado, sem pedido, nem consentimento, a imagem do retrato. E talvez um
terceiro acaso, o vigor da mensagem haver tocado a pessoa retratada, e nesse
caso, a destinatária por acidente.
Dentro da ignorância do facto de haverem levado a
mensagem, me vi; diversas vezes, no terreno escorregadio e perigoso, quando
incauto e talvez sem forças para poder vencer a tentação; contemplando-te com
um olhar carregado dum embevecimento comovido. Não poucas vezes o olhar passou
as fronteiras dum ingénuo olhar e descambou na ânsia evidente de um anelo
desesperado.
Era assim, desse jeito, que algumas vezes os nossos olhares
se cruzavam – o meu cheio de expressão contida, mas quase incontrolável, e o
teu que eu via como que decifrando a mensagem e dando simultaneamente uma dose
de alento e esperança – e eu morria na ânsia. Na ânsia de te abraçar, na ânsia
de dizer coisas bonitas. Não só, mas também morria na miscelânea de outras
ânsias inconfessáveis. Perdido fiquei, louco, me achei quando atónito pude
divisar, na contraluz, o entremeio das tuas coxas, dado a ver por um vestido
duma transparência dadivosa, de tal jeito que o meu olhar clandestino e furtivo
pode ver a cor das cuecas que cobria a tua nudez: cor-de-rosa! Disse para mim; que escultura de mulher. E nesse
instante como um astro do sistema solar, entrei em órbita e perdi-me nas
galáxias do universo cor-de-rosa.
Quando subitamente e tão fora do clássico nos
envolvemos, senti que nunca uma
expectativa, em mim, tão grande, ficou tão aquém do real. Tu real muitas vezes
melhor do que te imaginei, ou imaginei que vi nos olhares furtivos. O teu corpo
de gazela, os teus beijos, a tua ânsia, a tua fúria, o teu suspiro, o teu doce
e até envergonhado jeito de acariciar. A tua forma aberta de te entregares. A
tua forma desinibida de falares do passado. O teu jeito subtil de ser e fazer,
pôs-me agradavelmente rendido aos teus encantos.
in "Cartas Intimas"
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Quelimane no coração -Comoventes reencontros de chuabos*
por Lo-Chi
Esta
semana foi para mim particularmente comovente, posto que foi rica em gratos
encontros com pessoas de quem nutro simpatia. Se com uns convivemos recordando
o antanho, com outros, tendo mais tempo disponível, foi possível proporcionar
encontros maravilhosos com outros companheiros que já não se viam, fazia um bom
par de anos. Interessante duplamente foi levá-los aos nossos locais referências
da infância e juventude, rever os sabores e odores tão distantes quanto
próximos; voltar às origens.
Fomos à
Nicoadala tramitar documentos bem como visitar um amigo com um projecto
promissor na sua fase de crescimento e expansão. E como bons amigos que somos,
para além da conversa, com temas de actualidade, enriquecemo-la com os assuntos
do antigamente, desde o basquete à escola técnica, das nossas bifurcações de
destino e o que coube a cada um, sempre pintalgados com a nostalgia dos
momentos comuns, vistos já com olhos de saudade que tira a objectividade dos fenómenos,
alterados pela mudança radical na passagem de factos para contos, e como o ditado determina, pontos a mais e a menos
aconteceram: como diria a minha avó, compreensíveis exageros de circunstância.
Fomos à
Namacata comer aquela galinha
verdadeiramente a cafreal, sentir a brisa filtrada pelas mangueiras, ver os êrrúndulos
– rolas – rulhando nos fios de energia, e nos seus vôos acrobáticos seduzindo
as fêmeas, ou os nandindis manietados e
impotentes a verem as suas mutipas descaradamente roubadas pelo prepotente
jôghorrô.
![]() |
| Os êrrúndulos em tarde romântica |
Visitamos
aquelas baixas de arrozais outrora dos nossos avoengos. Hoje, ou abandonadas e
usurpadas, ou na fase de recuperação para outros fôlegos e projectos, onde
cruzamos com céleres e indomáveis perdizes. Foram sete horas de um intenso
domingo, onde a conversa jorrava as catadupas, quase sempre atropelavamo-nos, numa ânsia pueril. Só de la
saídos, quando literalmente expulsos por um sujeito inoportuno: o mosquito do
início da noite.
![]() |
| Alvaro Ó da Silva(Varito) e Amilcar de Melo (Chilo) |
Fomos ao
Kansa rever; ajudados pelo local; as nossas futeboladas, os nossos primeiros
tudo, as histórias dos nossos velhotes, as intrigas, as nossas traquinices.
Vimos o local onde comprávamos as argolas do velho Lázaro, os canudos da dona
Mery; imaginamos a mangueira onde o velho Paulo nos cortava o cabelo,
brindando-nos ora fofocas ora histórias rocambolescas; recordamos o insólito
Katulinho Umaboleia, sapateiro, que com sua própria adaga, numa posição
incorrecta de corte de borracha de pneu, acabou fazendo um lanho em próprio
abdómen; visualizamos as lojas do Machiel e do Manuel, com o seu desenho
relativamente alterado; falamos das nossas farras. Mas o momento auge foi o
encontro com a Belinha Marques, refeita das agruras da vida, que nos presenteou
uma tarde cheia de acepipes; o pende assado, com chatinye de mumbakwo, camarão
com nhatandho, água e sal de sarhabuanha e sôlôlo, caranguejo cozido, e
finalmente o famoso tôdhwé, acompanhado com um maravilhoso achar de limão,
tendo como base um bom “três tempos”- murrada de mandioca**. E como não somos
chauvinistas, chamamos a mesa para nos acompanhar um bom vinho tinto, cuja
marca: A Cepa Alentejana. Saímos de lá com o volume e o tom das vozes
manifestamente alterados. E lampeiros, regressamos às nossas casas, hoje na
cidade, numa conversa no estilo do antigamente, mais aos berros do que falando,
contando anedotas, com especial destaque para aquela do milhafre, da autoria da
Mercy Lázaro, contada numa mistura de mais de três idiomas, inglês, mal falado
claro, português, chuabo e sena, bem no jeito daqueles meninos de bairro da
preferia que fomos.
E quando
a casa chegado, fui impelido ao meu caderno arquivado na prateleira das
desilusões dos sonhos não conseguidos, onde no meu desiderato de poeta que se
queria, na sua ingenuidade, fez aquele pretenso poema incipiente e li.- e tem
piada que me comoveu: Quero voltar a ser criança/esperar com ansiedade a época de
manga/improvisar o que mastigar/quando com fome estiver.//Quero voltar a ser
aquele menino,/calções chapados, joelhos negros e calejados/inventar
brincadeiras nas horas de tédio/e fugir as mandanças da mamã.//Quero ser aquele
despreocupado ocupado//comer e querer sair para as brincadeiras/sem pensar em
fazer a sesta.//Quero ser aquele que fugia/apesar de sujo, daquele banho
obrigatório/e dormia num só sono/quando o sol assim fazia.
![]() |
| Amilcar Gil de Melo-bairro Kansa |
**alguns pratos tradicionais da cidade de Quelimane.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Pensamentos e emoções
Minha
alma são retalhos colados, da existência, feito passado. No futuro, nada existe
de confiança nem esperança, se não a teoria das probabilidades.
Lo-Chi
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