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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Do pretérito, imperfeito, ao futuro incerto



por Lo-Chi



Socialmente, sem possibilidade de se tergiversar, temos estado numa sucessão de factos nada agradáveis, de uma acrimónia constante, entre sectores organizados da sociedade e o governo, em que o cidadão inerme é o elo mais fraco, de toda esta batalha.

O arrolar de manifestações contra algum estado de coisas, das massas, começou e foi desenvolvendo-se com uma persistência estóica, dos expressamente designados por madgermanes. É verdade que o número desse grupo não era (é) aquilo que se pode designar de massas, porém um grupo sobejamente notório, se não mesmo expressivo. E foram expressando a sua indignação, todas as semanas ao mesmo dia, partindo do mesmo local. Neste processo, o governo foi reagindo mais ou menos contidamente, umas vezes, outras com ameaças veladas, mas a violência sempre a espreita. E em termos de resposta umas vezes dando-os razão e outras não, num processo no mínimo nubloso.

Na calha daqueles, entra a população peri-urbana da capital com alguns rescaldos em algumas províncias, nas famosas datas de 1 e 2 de Setembro como actividade com alguma experiência ganha no dia 5 de Fevereiro do ano 2008. A resposta da máquina repressiva do governo não se fez esperar, e as armas de guerra foram postas em acção com vítimas. No fim o estado foi torcendo o braço a contra-gosto, numa espécie de malabarismo mal disfarçado e redondamente mal elaborado- cestinha básica, recordo.

Se antes a coisa foi entre simples cidadãos desarmados, que enfrentavam os polícias militares, na fase seguinte da instabilidade social, foi decerto, quando no pretérito não muito distante, uma parcela substantiva dos antigos combatentes se manifesta(ra)m contra uma situação que lhe era imposta, da qual eles não esta(va)m de acordo. Aqui assustou-me sobremaneira, posto que conhecendo como conheço a nossa polícia militarizada com AKMs e tais, a situação explosiva era mais do que evidente, já porque este opositor, no mínimo era conhecedor de tais instrumentos, e quiçá com alguma possibilidade de acesso. Porém, a máquina repressiva do governo apareceu, com violência de sobra, até para a população civil transeunte apanhada incauta na sua luta pela vida.

Embalados, no que reza a constituição, os médicos, uma classe intelectual da sociedade, quis fazer valer os seus direitos, através de instrumentos emanados na lei, mas o governo habituado a lidar com a massa rija, mandou de imediato a sua força repressiva, ainda que não com bastões em punho, porém com uma presença assustadoramente presente, mais do que velada, uma ameaça com dentes arreganhados. Porém estes, para fazer valer a intelectualidade, foi intransigente, utilizando meios e instituições de pressão, e pela primeira vez, ainda que não tenha posto o Governo de joelho, pô-lo, pelo menos com uma reverência, ainda que velada e contrariada, com a promessa de resolver, e simultaneamente, com acções subtis de retaliação, já em curso.

Imediatamente a seguir, uma greve péssima, do ponto de vista de segurança nacional, como também de revelação de algo péssimo no nosso ansiado estado social, destapou a insubordinação e fez-se revelação mediática dos nossos polícias secretos, que contrariamente o que é comum, deixaram de ser secretos e vieram ao público dizer que são secretos públicos.

A inconformidade do partido da perdiz, umas vezes com, e outras vezes sem razão, com a sempre recusa da sua congénere no poder, espicaçou a sua oposição cada vez mais radicalizada, emanando gestos e palavras que encomendam na nossa já radicalizada polícia de repressão, respostas belicistas, que em nada afrouxam, nem o verbo nem a insistência, de uma espécie de insubordinação civil, à breve trecho, para uma confrontação de proporções imprevisíveis.

Se olharmos para os factos e os opositores, se numa primeira fase era do armado para o civil desarmado e sem conhecimento de qualquer arma, senão as pedras da calçada, posteriormente os opositores do governo começam a ser grupos que dominam as técnicas e os instrumentos de repressão, muitos desses instrumentos ainda andam por aí a solta. E neste harém de intervenções da polícia armada, temos que incluir, a  desastrada, gratuita e desproporcional força exibida, na greve dos seguranças privados de Maputo, bem como o bangue bangue de Nampula, a força emprestadas contra os deslocados e indevidamente assentados, das minas de Tete, como ter que pôr em linha de consideração, as agressões físicas e as mortes dos cidadãos singulares, uns que vão e outros não, desfilando informativamente nas televisões, mas que convenhamos, vão criando rancor e “ódio concentrando e surdo”. Por outro lado a postura pouco dialogante e a intransigência do governo nas suas posições, a cultura da violência da polícia, muitas vezes injustificada, dão a meteorologia dos acontecimentos, sinais de um provável choque de proporções imprevisíveis, para os confrontos que implícita e explicitamente se vem anunciando.

Medido tudo isso, aparece um caldeirão perfeito e propício, que pode levar o Chefe do Estado chamar a si a prerrogativa extrema, mas justificável, de declarar o estado de emergência, estado de sítio - na probabilidade de as ameaças virarem factos - e naturalmente medidas administrativas especiais e restritivas e alteração da ordem constitucional; situação convenhamos perigosamente celerada. Nesse contexto decerto que as eleições já calendarizadas não se farão. Apesar do nosso Chefe do Estado ter manifestado cordatamente a sua indisponibilidade ao sacrifício de ficar mais 5 anos a frente do destino da nação moçambicana; uma situação destas decerto levará a que o cidadão, que já se queria na reforma, se mantenha perfunctoriamente no cargo, num sacrifício imolador, devido a moratória a ser concedida indeterminadamente, por força da situação. Por isso, aqui o meu apelo, ao próprio Chefe do Estado e ao Governo que dirige, a necessidade de maior empenho no diálogo, com todos, e em especial com a perdiz, de modo que as eleições aconteçam, e o Chefe de Estado no tempo aprazado, possa gozar a merecida aposentadoria já anunciada, e se elimine o já cansativo arreganhar de dentes da polícia. Poupem-nos. A nossa paz está mais violenta que a guerra!!!

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Fui habituado a ver polícias de segurança pública, de cacete pistolas nos coldres, que eram instrumentos bastante, para pôr na ordem os potenciais insurrectos. Blindados, AKMs, trazem de volta os meus traumas de guerra.



sexta-feira, 29 de março de 2013

A idade e os sonhos



por Lo-Chi



O sonho é uma constante na vida. Sonhar é pensar, é desejar, é imaginar. Sonhamos sempre. Quando crianças, sonhamos com a realização de coisas que todos os outros fazem: andar, assobiar, nadar, ler, escrever, aí por adiante, coisas completamente possíveis salvo problemas genéticos ou psico-somáticos. Porém, à medida que o tempo vai decorrendo, os sonhos que se vão utopiando, tem haver com outros predicados na possibilidade ou não de torná-los realidade. Mas o mais importante é ter-se a certeza que todos os sonhos são possíveis. É na fase dos quinze em adiante, que se tem a evidência da verdade dita pelo poeta: o sonho comanda a vida. E aí, eles são necessariamente desmedidos, onde todas as espécies de sonho estão autorizados. Nessa idade não sonhar, só os incorrigivelmente fatalistas inatos. Por isso, quero ter uma mulher, a mais linda do pedaço, quero ter o filho prodígio, antevejo-me o melhor pai, quero ter a melhor casa, quero ser o melhor, não sei se advogado, economista, aviador, médico, engenheiro ou político, a verdade é que quero ser o melhor. Quero ser o melhor, mesmo sem saber qual o meu QI. E é no rastro dos sonhos, que vamos fazendo a vida, primeiro académica, e quase concomitantemente sentimental, para posteriormente profissional.

Os sonhos multiplicam-se e desmultiplicam-se juntamente com as realizações, que tentam perseguir os afortunados sonhos e com isso, toda alegria de realização e todos os traumas da dura realidade dos sonhos não realizados. E aqui a sociedade aparece com as suas comparações e medições, e em consequência, segundo os seus critérios vai definindo os bem e os mal sucedidos, sem ter em conta os sonhos individuais, mas o suposto conceito colectivo de realização. E normalmente em sociedades como a nossa, em que a pobreza de espírito começa a medrar assustadoramente, o avaliómetro são os bens materiais. Não importa se fruto de  furto, fraude ou puro roubo, se feito à custa das costas de alguém, se somou-se a troco de subtracção da vida de pessoas. Os fracos, mesmo não sendo os seus sonhos, assumem o sonho social, e mesmo sem condições, tentam realizá-los a qualquer preço. Estes almoedam-se a sociedade. Os fortes que sabem o que querem, têm como termómetro a própria quimera, e desenvolvem um abnegado esforço para realizá-la, numa avaliação subjectiva-objectiva das condições possíveis de realização. E a cada passo, por saberem quanto custou, desfrutam-na com alegria genuina, sem necessidade de demonstrar nem provar nada a ninguém. Eles sabem o que é bom para eles. E não somos todos iguais. Estes fazem o usufruto da vida, aportam valores morais à sociedade, explicam aos seus epígonos, o valor dos sonhos e da dificuldade e prazer dos sucessos de esforço despendido, sabem da dureza dos sonhos não conseguidos.

Bem por isso, os maduros, aos cinquenta e cinco, sabem reconhecer os sonhos  possíveis, neles, agarram-se com afinco e dedicação, e reconhecem os que na verdade está fora da sua concretização. Isso é maturidade. Nesta idade não sonhar é a morte certa, porém não sonhar algumas coisas é realismo.



segunda-feira, 25 de março de 2013

Arquitectura de destronca e a natureza


por Lo-Chi

Não fui capaz de ficar imune a satisfação por um exemplo bom, diria mesmo que excepcional em Moçambique, quando vejo a edificação duma academia da organização Haga Khan e noto que as árvores estão sendo respeitadas. Puxei pela memória para encontrar exemplos dessa prática, na capital, e sinceramente, salvo omissão de registo da minha memória, só me recordo, no Maputo do Centro de Conferências Joaquim Chissano. Não é comum. Não é comum, porque quando das construções, a primeira coisa que se faz, é destroncar ás árvores todas, as necessárias e as desnecessárias, porque empecilho nas obras.

Confesso que a primeira vez que vi e aprendi, a conjugação da edificação de infra-estruturas e da natureza, foi em Cuba, quando chego ao Instituto Superior de Direcção de Economia (ISDE), onde fui fazer o meu curso, e para o meu espanto, no meio de um dos edifícios, integrante do complexo académico bastamente arborizado, estava uma árvore gigantesca, fazendo entender que o arquitecto ajustou a sua planta a configuração da área e respeitou aquela árvore no mínimo centenária. Sem saber exactamente porquê, eu era sempre atraido para aquele lugar, num apreciar extasiado.

O completar da minha tomada de consciência dessa necessidade de respeito pelas árvores nativas, tive-a, na Alemanha, onde nos bairros residenciais o que se vê de existência de árvores e o respeito que delas se tem é de tirar o chapéu. Disseram-me, que ninguém está autorizado a fazer abate de uma árvore por auto recriação, mesmo que dentro do seu quintal. Aliás, exemplos do respeito pelas árvores, podemos encontrar aqui bem no nosso vizinho mais civilizado.

Um outro local, onde fui e encontrei um lodge, que não apenas respeitou, a natureza como dela se aproveitou, para dar uma beleza indisfarçável, deixando e respeitando as árvores nativas, foi num lodge, na Zambézia,  situado bem junto ao rio Zambeze. Alias, é importante frisar que foi o proprietário desse mesmo lodge, que em face de um perigo de abate a uma árvore centenária, situada numa localidade entre o rio Licuari e o Lualua, dirgiu-se ao régulo, antecipando-se a gula pantagruélica dos chineses, que já a queriam abater, e comprou-a em sua defesa. Protegeu-a e fez uma sinalética. Hoje é motivo de atracção e muitas vezes local de paragem e descontração dos viandantes, como também objecto de imagens fotográficas.

Quem sai do Inchope em direcção à Gorongosa, logo após  a entrada do Chitengo, existe uma árvore tão especial, na berma da estrada que, se no outro país, acredito, seria uma árvore protegida pelas autoridades locais. E é sempre com grande apreensão, que cada vez que passo pelo sítio, tenho o coração aos pulos, no receio de ver que essa árvore tenha tido sorte madrasta: ou porque cortaram-na ou as queimadas a tenham devorado. Felizmente ainda se mantém.

O nosso analfabetismo ambiental é de tal proporção que brada aos céus. Fui a uma viagem turística à Mocímboa da Praia. Por recomendação hospedei-me num lodge de uma senhora, dizem que de origem francesa. Um lodge implantado essencialmente com materiais locais, e com respeito a árvores nativas: simplicidade e beleza de impressionar. Quando um dos meus companheiros de viagem teve necessidade de ir falar a um dos dirigentes locais, que por sinal também tem um outro lodge, este perguntou-o, onde estaria hospedado e aquele explica, e recebe de pronto a seguinte exclamação: naquele matagal!?? Em consequência, convida ao mesmo para visitar o seu empreedimento. Lá fomos, e rimo-nos a brava da comovente ignorância, e principalmente vinda de alguém, que deveria supostamente saber o mínimo de desenvolvimento sustentável. Explico-me. Os dois lodges citados são vizinhos e situam-se num plano ligeiramente inclinado. Enquanto o primeiro deixou as árvores, abatendo apenas as essenciais para edificação das infra-estruturas; e mais, plantou relva, ficando para além de bonito, com maior probabilidade de resistir a erosão, em caso de chuva torrencial, o outro que não é mato, limpou tudo, de tal jeito que numa borrasca, parte do seu solo vai de certeza ser arrastado para o canal da baia. E tudo isso com efeitos perversos, para além dos comerciais, já notórios. Enquanto que o mato estava nesse dia com uma taxa de ocupação razoável, o outro apesar dos ares condicionados e que tais, estava quase às moscas.

Para finalizar o carnaval de ignorância- desculpem os meus leitores a repetição do termo carnaval- recordo-me de um facto contado por um amigo meu, que estando num concurso para construção dum parque da DPOH, fica estarrecido quando o arquitecto da instituição, dentro do projecto, previa derrubar árvores que faziam sombra ao parque, que queria ser melhorado(?!). Disse ele que não aguentou e perguntou ao famigerado arquitecto, se ele porventura sabia que aquelas árvores, umas acácias, eram, mais velhas do que ele. E eu, por meu turno, perguntei ao meu amigo, se ele havia chamado de arquitecto ao famoso personagem, e ele questionou-me o porquê, ao que eu lhe disse: meu caro amigo, esse sujeito não é arquitecto, passou pela escola de arquitectura. E isso, por não ser perverso e dizer que: a escola passou por ele, estando distraido, nem sequer deu por ela!

terça-feira, 19 de março de 2013

Quelimane: política de terra queimada?


por Lo-Chi



Quelimane o espelho da própria província carente de investimentos e com o futuro tremendamente incerto, desde altura em que após a independência teve uma espécie de periodo de graça, de mais ou menos dois anos, em que todo mundo falava das liberdades únicas, respiradas pelo cidadão ali localizado, após o qual o êxodo passou a ser o prato forte do zambeziano, numa espécie de magaiça interno. Mesmo agora que se fala no estilo de boato, que provavelmente vai acontecer um investimento de vulto na província, mais concretamente na localidade de Macuse, com a deslocação incerta para Micaune e de novo propalando-se que será Macuse, o natural viajando nesse disse que disse, sem conhecimento de factos apenas de rumores propalados, vai alimentando, até agora a sua vã esperança, que esse seja uma espécie de projecto âncora, de tal jeito que o anelo, vai desenhando aquilo, que nem a realidade, nem uma mente em sã análise, daria ou dará como resultado. Delírios de esfomeado!

                                A velha catedral, autentico monumento abandonado, em avançado estado de degradaçao

A capital e a província se confundem na sorte madrasta. A pobreza e a fome em proporção directa, ou porventura exponencial, com os recursos, quer naturais como humanos. Veja que mesmo os recursos explorados, desta província, quem dela mais beneficia, não apenas estatisticamente como o seu usufruto material, é Nampula do que propriamente Quelimane. São retratos fieis desse paradoxo, a castanha de cajú, a agua mineral, e parte da própria madeira, falando até das pedras preciosas. Exemplifico, vá a uma loja procure pela água Gurué e não são poucas as vezes que não encontra, acredito que em Nampula não falha.



A paupérrima situação da cidade e da sua força de trabalho, para além de ter visto as grandes empresas que absorviam um grande número de trabalhadores completamente retalhadas, as que sobraram são campeãs em pagar, a força de trabalho nativa, salários de fome, que não abrange alguns poucos. Excepção dessa realidade apenas fazem jus as ONGs, e quiçá alguns bancos.



Os empresários autóctones maioritariamente virados a exploração de madeira – uns poucos, mas suficiente para se esganarem; na construção- mas sendo aqueles consumidos na exploração, não apenas do cartel de preços, como dos roubos descarados nas medições, definidas pelos exportadores chineses.

Todos esses infortúnios, deveriam ser pressuposto para levar as autoridades, quer governamentais como autárquicas e seus agentes, a pensarem em sinergias, para minimizar o atoleiro em que se encontra mergulhado a cidade e a província. Porém, contrariamente ouvimos que, as metástases do cancerígeno politiquismo e partidarite, imperam e na vez de se aprovar o orçamento para o funcionamento normal da autarquia, por exemplo, andam em brigas de comadres com as desculpas mais esfarrapadas; e ao que tudo indica a mais velha organização, que deveria dar exemplo de maturidade, virou criança birrenta, inventando os mais estapafúrdios disparates para se justificar com argumentos esquálidos. Tudo esse paradigma leva-nos a revelação de que se perdeu, se alguma vez se ganhou, a lógica de servir, para a lógica do poder pelo poder.

                                                Gabinete do Governador da Provincia

                                              Tao proximos mas tao distantes

Concelho Municipal

Tudo isso remete-nos a um periodo parecido, em que um grande chefe, duma outra também grande organização, andou a mandar tiros para o próprio pé. Desse imbróglio todo, para o periodo que se é advento, terá como resultado a hipótese provável: o absentismo em massa, o que já não é novidade, e os eleitores presentes, estarão, imbuidos de um espírito de vingança, e tanto quanto os mais corajosos exprimem, vão ultrapassar o espírito partidário e vão dar um forte sinal de cansaço e revolta pelas atitudes levianas e lesivas a cidade e a província, prejudicando, de forma deliberada e pedagógica, o contendor com ares de ausência descarada de sanidade. O tom das trombetas da população convergem maioritariamente para esse som! Só não ouve quem não quer, não está interessado ou cronicamente surdo. O aviso fica plasmado!!!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Os natos domínios científicos da mulher


No permeio de suras, papos e cafutchêtchês
http://suraspapos.blogspot.com/2012
por Lo-Chi


Numa conversa, à propósito do dia dos namorados que passou, bem como dos dias da mulher que se aproximam, fomos, eu com alguns amigos, dissertando sobre elas. E a certa altura dizia eu, Há duas áreas de sucesso garantido para as mulheres. A economia e a psicologia. Na psicologia, argumentava que, ela começa a aprendizagem do comportamento humano, desde o seu primeiro filho feto, desenvolve com o seu nascimento, especializa-se no namoro e casamento dela própria. Ela sabe, advinha, prevê, influencia, determina. Ela lida com o bebé de uma maneira em que só quem detém conhecimentos de puericultura e pediatria é capaz. Quando tu vês o teu filho doente, entras em pânico, e ela está serena, agarra uma calma, porque ela conhece a dimensão da realidade com uma competência única. Se porventura ela se alarmar, meu amigo, a coisa está séria demais. Ela, só ela, consegue decifrar aquela língua primeira do bebé, uma espécie de chinês misturado com russo. Conversam perfeitamente e tu ficas a leste. 

Só há dois momentos em que perde o conhecimento: no momento em que o filho único anda para as bandas dos dezasseis anos. Aí, perde toda a ciência. Outro, quando se torna avó. Porém o seu domínio do comportamento humano é também patente em relação ao seu marido, posto que o homem, continuava eu, é um bicho de hábitos e costumes, e ela apreende rápido e domina, utilizando como ciência de relação, tanto para o bem como para o mal, em seu proveito, prevendo em diversas circunstâncias as reacções e atitudes, e por isso, comanda todo o processo, ainda que te pareça o contrário. Esta dissertação foi pacífica, digamos que quase de unanimidade.


Animado com essa exposição de sucesso, acelero, transitando para o outro capítulo, onde asseguro, A mulher é uma economista prática, não se perde na teoria do antes e do após. A economia dela está integrada na dinâmica da vida, na realidade das broncas, nos interstícios dos labirintos complicados com soluções de milagre. Ela sabe que a economia não se faz com pressa e impaciência, e que o segredo está nos detalhes, ou melhor nas quinhentas. Ela sabe que a macro se elabora essencialmente com a micro. A ela e seus conhecimentos de economia de guerra se deve a sobrevivência das famílias de salário mínimo. Largado, fui acelerando na minha apologia a perícia da direcção económica das mulheres, atirando exemplos concretos, falando na economia de trabalho, onde elas se batem na comercialização, na machamba, falei de lares uniparentais, com mulheres a cabeça, numa indigência tal, sobrevivendo, não apenas no limite como destapando milagres com filhos que fazendo a secundária abaixo do limite pressuposto, de repente estão feitos doutores com todo o merecimento e provimento da mulher. Quando cheguei a essa fase, sem muitos preâmbulos, um velho amigo de seus setenta anos, saiu-me com esta, Meu amigo até agora gostei muito da tua filosofia, porém acho que já está muito idílica demais, e com receio que te possa causar algum dano, tenho que cumprir o meu papel de idoso, e retorna-te ao planeta terra, e pôr os pontos não apenas nos is como nos jotas. Importa antes de tudo, dizer que este ancião, um grande amigo meu com quem gosto de conversar, mas é um gosto dialéctico convém frisar, de nome Madeira e de profissão enfermeiro, é de um realismo tal, que atinge as raias de crueldade e algumas vezes extremamente desmobilizador, mas simultaneamente duma argumentação sólida, que acabas entrando num aceitar contrariado. Daqueles que mete raiva, mas ficas sem argumento e sem querer, tens necessariamente e a bem da evidência que lhe dar razão. E o que mais raiva mete, é que te desarma com exemplos tão corriqueiros e do dia a dia, que desnorteia. Continuando dizia ele, A tua proposição não direi que é falaciosa, porém falta-lhe consistência, no que diz respeito a área económica, confundes excepção com regra. 

Sorriu, olhou para mim e continuou, sem antes dar-me umas palmadas nas costas, Põe-te na estrada e pede boleia, quando necessitado e vê se alguém pára, para te dar. Porém põe uma mulher e verás que numa fracção de tempo ela consegue. Vai pedir um auxílio a alguém com os melhores dos argumentos e vê se consegues algo de jeito. Manda uma mulher e mesmo sem argumento e repara no que ela não consegue. Falando em termos gerais, o burro de carga, o trabalhador, o sacrificado, sempre foi e é o homem, não recuso excepções, mas objectivamente, quem aguenta com os trancos da vida é o homem. O problema meu caro amigo é que Deus deu um título de crédito a mulher, uma espécie, dizia ele e foi antecipado por um dos convivas da altura, que quis completar, Um cheque visado!, rematou. Mas o velho Madeira, sereno e compassado, contrariou, Qual cheque visado qual quê?! Deus deu a mulher, o que tu não tens; o cheque visado é um título de crédito com validade nacional, não transaccionável internacionalmente. Não; à mulher, Deus, muito mais que isso, deu uma carta de crédito que é um título de crédito internacional. Aí reside a diferença. Não digo que todas a usam, mas têm. Numa contenda com a mulher, tu nunca estás de igual para igual. Quer isso seja, frente ao juiz, ou frente a um infortúnio. Ela tem um trunfo, uma arma que tu não tens! 


Aquilo foi uma explosão de risos e de expressões de assentimento, com excepção de eu próprio que fiquei leco, desartelhado, feito num oito, acabrunhado, meditando nos argumentos do velhote. Em resumo o velhote arrasou-me!!

sábado, 2 de março de 2013

Os carnavais de mortes e amputações


No permeio de suras, papos e cafutchêtchês
por Lo-Chi



Falei no pretérito trabalho do carnaval e volto desta feita falando do carnaval, mas um carnaval perfeitamente evitável. Está a ser por demais as mortes na estrada principalmente as de contribuição maior; feita por aqueles que era suposto serem os guardiões da condução defensiva, por possuirem habilitação para tal, e para o efeito possuirem a chamada carta de Serviço Público.

Informalmente; nos orgãos de informação; na boca do povo; temos ouvido com frequência, alguns nomes de empresas de transporte público, que descaradamente e como se fosse um campeonato, vão, ao seu gosto, atropelando as regras de transporte de passageiros, com especial enfoque para o excesso de velocidade e ultrapassagens irregulares, e em consequência batendo recorde nos acidentes. E entre as informações detalhadas que corriam boca afora, o nome da empresa Maning Nice, era veiculada com uma insistência indisfarçável, sobre os seus atropelos e diatribes. Recordo-me, que no ano passado, soube de um acidente ocorrido em Lindela, onde pereceram várias pessoas. Vem-me a memória que um dos pais afectados, morreu-lhe o filho, estudante universitário. Pouco tempo depois, falaram-me do despiste de um sujeito que seguia num Mitsubish novo, na zona de Lualua distrito de Mopeia, porque um machimbombo  Maning Nice fazendo uma curva a alta velocidade, sai da sua faixa de rodagem, e aquele para evitar o embate frontal, desvia para fora do asfalto, o que acaba num despiste que desfaz o seu carro com uma destruição  completa, só não perdendo a vida graças a Deus. E o tal Maning Nice, não se deu ao trabalho de parar para socorrer o tal desafortunado. Nas proximidades do mesmo troço, EN 1, no ano passado reportou-se na televisão o despiste de mais um autocarro.

Do ouvir dizer e ver reportagens na televisão, fui confrontado com realidades factuais, dos tais desmandos. Mas antes, fui questionando o porquê de não intervenção das autoridades, no sentido de pôr a(s) empresa(s) no procedimento correcto de modo a evitar o sangue que corre as catadupas nas nossas estradas  com grande contribuição desta empresa e algumas tantas outras. A primeira que vivi, foi numa viagem do ano passado. Fui de carro à Mocímboa da Praia e à Palma saido de Quelimane. No meu regresso, passou por nós um autocarro da famigerada, a uma velocidade tal que nos arrepiou, posto que a ultrapassagem foi feita praticamente em cima de uma ponte. O que só confirmou a informação maning bad que se tem dela. Neste ano, no mês de Fevereiro, na altura da interrupção da via por causa do excesso da chuva, fico três dias pendurado na Beira vindo do Maputo. Quando se dá a reabertura, vou, no dia 16/02, a terminal de passageiros inter-provincial de Matacuane, dirijo-me ao guichet da ATB, uma companhia de transporte, compro o bilhete Beira Quelimane, mandam-me estar as três da manhã no terminal. Porém, quando lá chego, estou esperando pela tal companhia, cujo autocarro, de repente, soube que ia à Tete, e que os passageiros para Quelimane, passavam necessária e sem aviso-prévio para a famigerada Maning Nice. Contactada a tal, confirma que sim, que havia negociado essa solução. No meu desespero de passageiro desgastado com a retenção e depois o stress de ter madrugado, e sem o transporte que me havia levado ao terminal, lá me submeto, num receio fundamentado em toda vil atitude, propalada aos sete ventos, mas esperançado que sairia ileso. Qual quê!? Os sinais preliminares já davam um péssimo agoiro: conversa ao celular do motorista em plena condução, música expelida com décibeis de poluição sonora, deixando de ser música virando barulho. 

Foi que então, entre a ponte do Pungué, na EN1, e a entrada para o Chitengo, estamos numa curva, início de uma descida e ... a vista uma carrinha, por detrás de um camião, que pretendia passar com cautelas, num espaço deixado por um outro imobilizado e com o cavalo enveusado ao longo de dois terços da largura, no sentido contrário ao nosso, ocupando os tais dois terços da faixa de rodagem. E o nosso incauto motorista vai todo lampeiro, bate por detrás da carrinha imobilizada atrás do camião que tentava passar na frincha. Aquela carrinha é nesse embate ensanduichada entre o nosso autocarro e o camião de frente, e é expelida dando um meio peão, e o nosso autocarro ainda vai a tempo de embater frente a frente com o camião imobilizado. Em resumo, quatro carros envolvidos, com o motorista da carrinha entalado nos escombros.

 O motorista da carrinha, retirado depois de várias tentativas, completamente ferido, é levado ao hospital de Gorongosa, de onde tivemos conhecimento que lhe tiveram que amputar a perna. No entrementes dos acontecimentos, um pouco refeitos do susto, nós os envolvidos no acidente, reunidos, vamos tecendo comentários à propósito, é aí que somos brindados pelo motorista do camião da frente, com histórias recentes da famigerada transportadora, que mais parece uma equipa da formula I. Contava, ele,  que num passado de menos de uma semana, um autocarro da mesma, despistou-se na zona entre o Guro e Galingamusse, porque ia a velocidade de som. Tentava fazer uma curva, e logicamente, sai da estrada e vai, feito uma caterpillar, tentar destroncar um rochedozito que lhe pôs os dois eixos fora do lugar, mesmo assim tendo o dito cujo, deslizado uns oito metros. Dispensa comentários! Mais; o polícia trânsito, que veio fazer medições e elaborar o croqui, deu a entender saber, pela afirmação, que a companhia transportadora Maning Nice, é a todos títulos, uma desrespeitadora nata das regras de trânsito. É sobejamente conhecida, mesmo pelos agentes do Estado.

A minha lógica pergunta é: porquê essa imunidade?! Controlá-la e tomar-se medidas é plenamente possível, como acima de tudo, exigível, em face de lutos e os consequentes problemas de diversa índole que esta e outras do mesmo calibre andam por aí semeando impavidamente. Se têm essa informação, o estado que se organize de modo que, por exemplo, ponha policias trânsitos disfarçados em algumas viagens e produzir  relatórios, que seriam apresentadas aos donos/ e ou gerentes, que deviam ser avisados, que a continuar atitudes marginais, estarem sujeitos a retirada das licenças; relatórios com consequências. Ou, v.g., criarem fichas de preenchimento obrigatório, que seriam verificadas nos controlos existentes  nas saidas das cidades, com a informação da hora da saida, que seriam verificados nos outros pontos de distância razoável, das entradas das cidades intermédias e finais, para verificação da média de velocidade. A verdade é que alguma coisa tem de se fazer.
  

No geral o que se pode dizer, da falta de respeito pelo consumidor, constitui uma lista absurda. Autocarros com estrutura para circular com ar condicionado, fazer mais de mil quilomentros, sem refrigeração; em outros, a música é tocada de forma ensurdecedora, bem alta, com grandes probabilidades de lá saires completamente surdo, devido aos decibeis debitados nas suas colunas com música de gosto duvidoso. Filmes sem selecção conveniente, atendendo aos níveis etários que frequentam esses meios públicos. Sem deixar de falar da arrogância dos tais supostos servidores públicos, que muitas vezes desconhecem a importância de informação, bem como as arbitrariedades cometidas em várias áreas, devido a gritante falta de fiscalização de quem de direito. Conduzir a falar ao celular, constitui prática corrente nesses meios de transporte público. Em resumo; o Estado tem de aparecer mais interventivo, e não apenas como emissor de estatísticas que pelos vistos não impressiona ninguém. Urge a fiscalização efectiva dessas fábricas de óbitos!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Quelimane: os carnavais da minha memória

Por Lo-Chi



Antes de mais importa recordar, que antecedendo aos carnavais dos grandes salões ou dos ocorridos em campos gino-desportivos, toda criança tinha o seu carnaval de bairro, quer fosse o bairro Kansa, o Vila Pita, o Sinacura, o Brandão, o Moreira, o Torrone, o Sangalivera, ou mesmo o Saguar ou o Mapiesua, em que os seus putos se juntavam em grupos de malta amiga, mascaravam-se, sem grandes requintes, e deambulavam pelo bairro cantando e dançando, muitas vezes, extasiando espectadores transeuntes, de tal jeito que, acabavam dando uns trocos aos petizes de então. Podemos situar essa actividade até ao princípio da escolaridade, na altura designada de ciclo preparatório, que seria hoje o primeiro e segundo anos do ensino secundário, claro com um matulão desocupado, normalmente descolarizado, como chefe de equipa e guardião do grupo. Lá para os quinze e dezasseis anos, mais crescedinhos e com o thymos despontando em alta, não nos permitíamos esse despojamento. O assunto tomava outro rumo: era o carnaval dos adultos. Aliás, convém recordar que muitos dos adolescentes, começavam a ter autorização do controlo apertado dos pais, de sair a noite e voltar de madrugada a partir dos carnavais. E aí começava o lassar do controlo. Nesta senda, não é de admirar que muito dos pequenos e pequenas viravam meio adultos, perdendo a virgindade nesse periodo de folia e muita libertinagem.

Dos carnavais, pode-se recordar que se centravam nos clubes, e deles os mais badalados foram os da Associação Africana, os de Sporting com pouca expressão, porque estes esquecendo-se de que o carnaval é essencialmente uma festa popular, tentaram fazer um carnaval de elite que resultou num redundante fracasso. O carnaval que conseguiu êxito retumbante, quando no momento completamente popular, foi o Carnaval do Benfica, sem dúvidas.

                                              Pavilhao do Benfica

O clube, neste propósito o Benfica, organizava o Carnaval, solicitando não apenas a participação popular dos bairros da cidade, bem como das grandes empresas de renome na província, que davam o suporte financeiro e aproveitavam a deixa para publicitar o seus produtos, principalmente no chamado corso da inauguração e do enterro do carnaval, onde nas viaturas expunham os seus produtos publicitavam as suas actividades. As pessoas organizadas em grupo suportadas pelas empresas, outras por iniciativas particulares, eram os chamados grupos foliões, dos quais me recordo o da Padaria Nacional, o da Manica, o da 2M, o da Companhia da Zambézia, os do Bailinho, os Metralhas, os Chaves, os dos bairros ja referidos, etc., etc..  A princípio, o Benfica um pouco no sentido de permitir o envolvimento de todos, mas com pouca mistura, na hora do baile durante a semana de carnaval, promovia dois bailes em simultâneo, um dentro do salão de festas do clube - no local onde hoje se encontra o chamado cinema  Estudio 222 - e o baile onde a população dos bairros se divertia à brava no pavilhão gino-desportivo. Os conjuntos chamados a animar, eram, por um lado os da elite, The Blue Twiters, Os Idavoli à meio termo, e por outro, salvo omissão, Os Cometas que actuavam no gino-desportivo, aliás este passou a ser o conjunto-mor e símbolo do som carnavalesco, com o exímio viola solo Bébé Temporário e o inesquecível baterista Cassamo, que numa daquelas então crónicas falhas de energia, pôs-nos, sozinho, sambando para cima de 45 minutos, aguentando com o tranco. 
                                                    Conjunto Armindo Amaral

A animação de fora, era de tal intensidade que os de dentro não resistiam e vinham para fora. Até que num desses finais, o Carlos Beirão, que também era vocalista de um dos conjuntos de dentro, chamou a realidade dos factos aos organizadores em pelo micro-fone, advinhando que o carnaval unificado teria outra dimensão. Escutado que foi o apelo pelos organizadores, unificaram; no carnaval do ano seguinte em diante passou a acontecer exclusivamente no pavilhão. Teve um salto de qualidade e intensidade emocional inefável; a sua fama saltou as fronteiras da cidade e viajou pelo país, ganhou outra vertingem. Nos anos subsequentes as romarias de outras cidades para participação no carnaval da cidade de Quelimane, foi explosiva; passou a figurar nos assuntos da temporada, com repórteres especiais dos orgãos de informação a deslocarem para a cidade, para descrever a folia dos zambezianos, a miscegenação, não apenas de culturas cores e raças, bem como dos diversos extractos sociais num convívio particularmente interessante, fazendo dessa festa uma academia de convivência. Quem não se recorda das grandes reportagens do João de Sousa, da RM, fazendo jus a fama ganha pela festa de marca quelimanense, como também as reportagens, quer fotográficas, como escritas, da revista Tempo, altamente conceituada na altura?! E isso, sem falarmos da culinária única, que era posta nessa montra em que a cidade se transformava. Recordo-me, por exemplo, do grupo de foliões organizados vindos de Nampula, pertencentes a casa Guida, salvo erro. Bem como sambistas exímios na arte de mexer o esqueleto como o famoso Aligy, que com uma simulação pôs um guerilheiro recentemente chegado das matas, no carnaval imediatamente antes a independência, num histórico tombo com a sua Kalich nikov a tiracolo. No último dia de cada carnaval reinava a ansiedade de saber afinal quem seriam; o rei e a rainha, e qual o grupo mais folião.

Aconteceu a independência, com todas as suas mutações e matizes, mas a essência carnavalesca da cidade ficou, ainda que em estado latente. Passados os complexos próprios de um país criança, a festa de carnaval foi retomada com as devidas e necessárias adaptações, numa nova miscelânea de sons e ritimos, e passando pelos trajes.  Desde o Pio Matos até ao presente mandato do Mano Mané, o município assumiu a gestão e organização do carnaval, e é feito na rua, no jeito do sambódromo do Rio de Janeiro, numa festa eminentemente popular, onde a criatividade e habilidade dos bairros é posta a prova. Para mim o senão, está decididamente no som, que não consegue ter a potência requerida, bem como pelo facto de não cobrir todo o percurso da área de dança, com colunas estrategicamente localizadas. Outro  senão, ao que me disseram, já resolvido, isso porque este ano estive ausente, era o facto de a área dos comes e bebes estar distante da área da folia. O combustível dos foliões é a bebida e a comida. Parabéns pelo facto. Mas resolva-se o óbice som e ver-se-à a qualidade daí advinda. Explodir-se-à de novo, a outros níveis, para o gáudio de todos.